A força feminina!

Foi no dia 8 de Março de 1917, em meio a Primeira Guerra Mundial, que cerca de 80 mil operárias russas percorreram as ruas de Moscou reivindicando melhores condições de trabalho e de vida, originando assim, o Dia Internacional da Mulher. Alguns estudiosos apontam que esse protesto foi reconhecido como um marco para o início da Revolução Russa, que teria como resultado o regime socialista soviético.

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Mas a data só foi oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1975, com o objetivo de celebrar as conquistas sociais e políticas das mulheres ao longo do tempo.

O Dia Internacional da Mulher é o reconhecimento das lutas das mulheres, e o fortalecimento do seu objetivo principal, o de construir uma sociedade mais igualitária.

Antes desse marco já há indícios das lutas das mulheres. Alguns pesquisadores assinalam que em 1910 ,aconteceu uma Conferência, na Dinamarca, em busca de direitos igualitários, e que, em 1911, ocorreu um incêndio histórico, na fábrica Triangle Shirtwaist Company, matando 146 trabalhadores, sendo que 125 deles eram mulheres, revelando assim as más condições de trabalho enfrentadas pelas mulheres já durante a Revolução Industrial.

Apesar do tempo e das conquistas celebradas pelas mulheres, como o direito de trabalhar fora de casa, o direito a voto, o direito ao aborto, ainda há muito para reivindicar.

Em muitos lugares, as condições de trabalho ainda são piores para as mulheres, em relação aos homens.

O desemprego também as afeta mais, a taxa de desocupação entre as mulheres é de 14,1%, enquanto a dos homens é de 9,6%.

De acordo com dados revelados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad),  em cargos de gerência, os salários das mulheres equivalem a 61,9% do salário deles.

 E não é apenas isso que precisa ser melhorado, o Brasil teve um aumento de 5% nos casos de feminicídio, em comparação com 2021, parece pouco, mas esse percentual revela que 1,4 mil mulheres são mortas a cada 6 horas, apenas pelo fato de serem mulheres. Só para efeito de comparação, os assassinatos, nesse mesmo período de tempo, sem o recorte de gênero, foi o menor da série histórica, contabilizada pelo Monitor da Violência Pública. Foram 40, 8 mil casos, ou 1% a menos, em relação a 2021.

Apesar de haver um percentual obrigatório no número de mulheres candidatas à eleição dentro de uma legenda, a maioria das pautas femininas propostas no Congresso, foi relegada ao segundo plano, ou mesmo paralisada.

No Supremo Tribunal Federal (STF), a maior instância jurídica do país, há apenas 2 mulheres colegiadas, dentro de 11 membros, sendo que uma delas vai se aposentar ainda esse ano.

Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas (Ipea), revela que há uma estimativa de 2 estupros por minuto no país,sendo que as meninas são as vítimas principais, na faixa etária de até 13 anos.

Esses dados só revelam que “a condição da mulher foi reduzida ideologicamente a uma coisa”, como ressalta a senadora Teresa Leitão, a primeira eleita para o Senado, por Pernambuco.

Se as questões sociais forem analisadas, é observado que as mulheres foram as primeiras a perderem seus empregos na pandemia. E são elas que ainda enfrentam as maiores dificuldades para entrar no mercado de trabalho novamente.

São elas as que mais sofrem com a miséria, as que estão com as crianças, as que lidam com a deficiência e na maioria das vezes, elas estão sozinhas.

Existe uma lista enorme de reivindicações a serem tratadas para a melhoria da vida das mulheres. E a partir do momento em que a vida delas melhora, a qualidade de vida de todos melhora consequentemente.

Erica Gregorio, jornalista, socióloga em formação, escreve periodicamente no seu blog ericagregorio.com

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