A fotografia será substituída pela IA?

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 Nos últimos meses, uma nova tendência tomou conta do Instagram: os prompts do Gemini IA, capazes de gerar imagens altamente realistas com poucos comandos. Advogados, empresários e até profissionais renomados de Itu e região já substituem sessões em estúdio por fotos artificiais. O argumento mais usado é a economia: não há custo com fotógrafo, aluguel de estúdio, maquiagem, roupas e cabelo. Em segundos, a inteligência artificial entrega a imagem “perfeita”.

Como fotógrafa, confesso que no início fiquei assustada com esse avanço. Afinal, se qualquer pessoa pode produzir uma foto “profissional” com poucos cliques, qual seria o futuro da nossa profissão? Com o tempo, passei a enxergar de outra forma. A IA não é o fim da fotografia — mas, sim, um divisor de águas.

As imagens criadas por IA carregam uma estranheza que muitos preferem ignorar. É como regar uma planta de plástico acreditando que ela está viva. Por mais realista que pareça, aquele momento nunca existiu. Não foi vivido. Não é a pessoa em si.

E aqui cabe um alerta especial às mulheres: os filtros de Instagram já causaram danos profundos à autoestima ao impor padrões inatingíveis de beleza. Imagine agora o impacto de corpos e rostos “irreais”, aceitos como verdadeiros. O vício na perfeição digital pode distorcer ainda mais nossa relação com a própria imagem e com a realidade.

Há usos legítimos e até emocionantes da IA: recriar memórias familiares, restaurar fotos antigas, montar imagens de entes queridos que não puderam estar presentes em vida. Mas quando a tecnologia ultrapassa o limite do lúdico e passa a substituir a realidade, precisamos refletir.

Fotografia não é apenas estética. É documento, memória e prova de que um instante aconteceu. O que a câmera registra é a vida como ela é — imperfeita, mas autêntica. E essa autenticidade não pode ser replicada por algoritmo nenhum.

Trabalho para uma revista e já recebi pedidos de clientes que queriam enviar imagens de si mesmos criadas por inteligência artificial. No entanto, a revista não aceitou esse material, optando por preservar a autenticidade e a verdade nas publicações. Outro exemplo são os outdoors em Itu, você passando próximo ao Shopping da cidade pode ver propagandas de escolas e lojas de utilidades domésticas utilizando crianças feitas pela IA. O que antes os designs passavam horas criando um outdoor no Photoshop, é criado em segundos pelo prompts do Gemini.

A pergunta que fica é: seria esse o fim dos fotógrafos?

Minha resposta é não. O fotógrafo que entende seu papel não como mero operador de câmera, mas como contador de histórias reais, seguirá sendo essencial. A IA pode criar imagens perfeitas, mas jamais criará memórias. No fundo, quem valoriza a verdade continuará procurando a fotografia de verdade. E é para essas pessoas que eu e meus colegas de profissão seguimos clicando.

(A imagem deste artigo foi, propositalmente, feita por IA)

Carol Rivieri

Jornalista e CEO da @libymkt

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