Adriana Menezes da Silva: liderança feminina em Itu
“Sou uma mulher de fases, como diz a música. Hoje estou na minha melhor versão.” É assim que Adriana Menezes da Silva se define. Ao olhar para a própria trajetória, ela reconhece as transformações: já foi mais romântica, mais autoritária, mais impulsiva. Hoje, diz ter encontrado um lugar de equilíbrio — um espaço onde gosta de estar e de atuar.
Charme, memória e o brilho no olhar
Adriana prefere não falar da idade. Responde com humor e elegância: “Como diria minha mãe, sou da fase em que perguntar a idade de uma mulher era falta de educação”. No caso dela, a explicação parece fazer sentido. Nos olhos, mantém um brilho de menina — um encanto genuíno pela vida, pela natureza e pelo céu. Esse olhar curioso aparece também quando ela recorda episódios da infância e da juventude, narrados com riqueza de detalhes, quase como pequenas crônicas de memória.
A maior inspiração veio de casa. Sua mãe, Maria do Carmo Silveira Arruda, foi a referência que moldou grande parte de sua visão de mundo. Adriana fala dela com admiração. “Ela era linda, casou tarde como eu, esquiava, atirava, jogava tênis. Gostava de cuidar da Fazenda Tucunduva, era muito vaidosa e extremamente atuante.” Além de professora, Maria do Carmo também vendia café e mantinha uma vida social e cultural intensa.
Entre as lembranças mais marcantes está o último encontro das duas, no hospital. Ao chegar ao quarto, Adriana levou uma bronca da mãe por estar sem batom. O episódio virou símbolo do jeito exigente e carinhoso que sempre marcou a relação entre elas. “Ela foi muito severa, mas também foi minha melhor amiga. A gente ia muito ao cinema e depois passava dias conversando sobre o filme.”

As raízes familiares e a infância em Itu
Do pai, o médico cirurgião Plínio Menezes da Silva, Adriana herdou outras memórias afetivas. “Quando eu era criança, ele fazia um avião de jornal que eu nunca mais vi igual”, recorda. A infância foi vivida na Rua Barão do Itaim, no centro de Itu, numa época em que ali funcionava a prefeitura. Entre as travessuras de criança, ela lembra das brincadeiras nas árvores e de um espelho usado para refletir a luz nas janelas do prédio público.
O vínculo com a cidade sempre foi forte. “Aqui é o meu lugar. Amo Itu.” Apesar disso, a vida a levou por outros caminhos antes do retorno definitivo. Ela morou em Espírito Santo do Pinhal, onde cursou Agronomia, e depois viveu por oito anos em São Paulo. Foi nesse período que se casou e, alguns anos depois, se separou. Do relacionamento nasceu sua única filha, Ana Carolina, por quem demonstra grande admiração.

Maternidade e admiração pela nova geração
A jovem passou cinco anos estudando nos Estados Unidos, mas decidiu voltar para o Brasil e viver com a mãe. “Eu admiro muito porque, mesmo jovem, ela já sabe o que quer e se posiciona. Eu demorei mais tempo para chegar a isso”, reflete Adriana.
Depois da Agronomia, Adriana decidiu trilhar um novo caminho acadêmico. Prestou vestibular para Direito na Faculdade de Direito de Itu (Faditu) e conquistou o primeiro lugar. Iniciou os estudos pensando em seguir carreira no Ministério Público, mas a vida reservava outra direção: foi aprovada na Polícia Civil e assumiu o cargo de delegada.

Desafios e coragem na Polícia Civil
Seu primeiro desafio foi na delegacia do Tatuapé, em São Paulo, uma unidade considerada difícil, com cerca de 180 presos. “Eu ia trabalhar com um terço no bolso”, lembra, referindo-se à fé que a acompanhava diante da rotina de tensão.
Em 2002, retornou para Itu, onde permaneceu até 2004, antes de seguir para a Corregedoria em Sorocaba. Após anos de atuação, aposentou-se como delegada.
Liderança feminina no agro
Nos últimos 15 anos, Adriana assumiu um papel de destaque no setor agropecuário regional. Ela preside o Sindicato Rural de Itu, posição que já foi ocupada por seu pai. Também atua como diretora da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP) e participou do Conselho do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR).
Entre as iniciativas que mais a mobilizam está o projeto Semeadoras do Agro, que busca capacitar e valorizar mulheres do campo. O programa oferece cursos gratuitos e orientações para que elas possam administrar suas propriedades, fortalecer sua autonomia e ampliar a geração de renda.


Cuidado e saúde no campo
Outra frente importante é o programa Semear é Cuidar, voltado à saúde das mulheres do campo. A iniciativa leva ações de prevenção ao câncer, com exames e mamografias, ampliando o acesso a cuidados que muitas vezes são difíceis para quem vive na zona rural.
Com uma trajetória que reúne família, serviço público e liderança no agronegócio, Adriana segue fiel àquilo que considera essencial: cultivar raízes, valorizar pessoas e abrir caminhos para outras mulheres. Afinal, como ela mesma diz, cada fase da vida ajuda a construir a melhor versão de quem se é.

