CRÍTICA DE CINEMA: O IDIOTA

Vamos de clássico, vamos de existencialismo e o absurdo das escolhas? O Idiota é um filme de 166 minutos, indicado para maiores de 14 anos, classificado como drama e baseado no livro do russo Dostoiévski, uma referência da literatura mundial. Quem dirigiu a película foi o renomado japonês Akira Kurosawa. O longa foi produzido em 1951, em preto e branco, com enquadramento de tela 4:3.

Receba as principais notícias do dia no WhatsApp!
Entre agora no nosso grupo oficial e fique por dentro de tudo em primeira mão.
👉 Entrar no grupo do WhatsApp

Uma curiosidade é que o filme teve uma versão original de 265 minutos, concebida de forma fiel à obra literária. Essa versão foi severamente cortada pelo estúdio Shochiku para o lançamento comercial, o que levou ao desaparecimento da montagem integral. Anos depois, quando Kurosawa retornou ao estúdio para filmar Rapsódia em Agosto (1991), não obteve sucesso na tentativa da busca pela versão completa.

No longa, um ex-soldado japonês, marcado psicologicamente pelos traumas da guerra, segue para a gélida ilha de Hokkaido. Nesse ambiente isolado, acaba se envolvendo em uma relação afetiva complexa, dividida entre seu amigo mais próximo e uma mulher de passado difícil.

A percepção nos primeiros 30 minutos é um pouco confusa: muitos personagens, muitas histórias, e tudo parece bem complexo. Mas, aos poucos, o diretor “desenrola” esse emaranhado, e o filme se mostra confortável e gostoso de assistir.

Engraçado! Me diverti bastante durante a história, pois pareceu-me que, ao menos os protagonistas e alguns envolvidos diretamente com eles, cada um a seu estilo, têm um perfil diferente de ser idiota. Parece que a culpa é de todos eles; quero dizer, a narrativa deixa claro o tema em questão: o culpado, o idiota. Um absurdo!

A fotografia é muito bonita, cria uma atmosfera fria e calculista! Há enquadramentos com estética simétrica em algumas situações e, em outras, mais teatrais. Frente à atuação dos atores e aos gestos — é um pouco difícil falar desse tema, pois a cultura japonesa, talvez por ser uma ilha, sempre foi mais íntima —, mas fica claro como os gestos dos atores têm uma assinatura única, que faz parte da educação local. Dica: Império dos Signos, de Roland Barthes, fala bastante da rica e cuidadosa semântica japonesa.

Enfim! Um filme com muitos sinais que, além de nos entregar uma história curiosa, mostra também uma riqueza ímpar de semântica. No site IMDb tem boa nota, atingindo nota 7,1 e na rede social Letterboxd tem 3,6 estrelas. Você encontra o longa para assistir no canal de streaming MUBI e no Belas Artes à La Carte.

Espero que curtam. Abraços! Dorival Sanches – Blog: https://dorivalcardealblog.wordpress.com/

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *