Da agricultura ao turismo: a rica história de sucesso da Família Maeda, em Itu

Taneyoshi Maeda só é conhecido assim para questões burocráticas, no cotidiano é André. O pai dele, Shigueharu, que chegou do Japão no Brasil em 1928,  “abrasileirou” o nome para facilitar a adaptação dos filhos no Brasil.

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Em 1964, ele chegou em Itu com os pais e os irmãos. Vinha do estado do Paraná e a proposta de trabalho era trabalhar  plantando tomates com a família nas terras de gente importante da cidade: os Gandini, os Francischinelli.  Os trabalhadores eram “meeiros”, ou seja, plantavam em terras alheias e depois dividiam o lucro com o dono da propriedade.

O jovem obstinado tinha um propósito, que poderia até ser uma metáfora do próprio empreendedorismo: plantar nas próprias terras.  Isso conseguiu em 1976, quando comprou o seu primeiro terreno.

Mas a grande oportunidade de sua vida veio de uma ousadia em tempos nebulosos: era 1994, e a moeda vigente no país, cruzado, muda para cruzeiro, que se torna cruzeiro real e depois, real. A inflação chegou a 2.951,63 % no ano e ninguém apostava que seria o ano da estabilização econômica. Aliás, ninguém apostava nada, só temia.

Mas André Taneyoshi Maeda apostou: comprou 265 alqueires de uma fazenda que arrendava para plantar tomates.  O preço ele lembra, pois foi em dólar: três milhões e quatrocentos mil. “Parcelado em três anos”, diz.

Outra aposta que ninguém faria é a de que ali se tornaria uma das maiores referências em lazer e eventos do Estado. “Tudo aconteceu por acaso”, conta o empresário, embora seja difícil de acreditar em acaso com as dimensões que o Parque Maeda tomou.

“Nós tínhamos os tanques da fazenda, os funcionários da roça de tomate pediam para pescar após o trabalho, aos sábados, e começou a vir mais gente, começamos a melhorar a infraestrutura, e o negócio começou a crescer”, recorda. Como pesqueiro era a barbearia da época, e todo mundo investia no ramo, para se diferenciar ele foi mais longe e fez piscina, restaurante, pousada e seguiu inovando.

Deixar o ramo de plantação de tomates também teve outra motivação. “A senhora lembra do tempo que falavam que eu que roubava a água de Itu? Como eu plantava tomates, saiu até a notícia de que era eu que pegava toda a água, sai até na Globo. E até hoje estão aí, né?”, diz. “Abandonamos o tomate por causa disso também. E realmente, a gente gastava muita água. Talvez não fosse onde capta a água, mas uma parte era aqui do Itaim.”

Por conta disso, ele mesmo criou no local 26 rodas d’àgua que trabalham 24 horas e chegam a bombear 500 mil litros para os tanques do pesqueiro.  As rodas e a árvore gigante são seus locais preferidos, no Parque Maeda.

Pelo local chega a passar, por mês, 50 mil pessoas. Mas tem também as fases mais difíceis, de baixa temporada, com fechamento no vermelho, mas Maeda aprendeu a ser resiliente com a natureza: “Quando plantava tomate, eu sempre pensei em parar. É muito arriscado, pois não depende só de você: muita chuva, muito frio, vendaval. Em 1991, quando teve aquele vendaval em Itu, perdi quase 200 mil pés de tomates. Faz parte de agricultura o risco”.

Lidar com as adversidades e sazonalidade também foi o que ensinou para os filhos, que trabalham ao seu lado:, André, Fernando e Henrique. A filha, Tatiana, faz mestrado em Biologia nos Estados Unidos.   Com toda a família trabalhando e empenhada em fazer o melhor, Maeda mostra que vale a pena arriscar.

Em suas viagens de férias, ao lado da esposa Clarice, mas sempre com a visão de negócios. Onde vai, vê algo que pode implantar em seu Parque. “Não é porquê moramos em Itu, mas a gente tem mania de grandeza, né?’, brinca.

Aliás, grandes são os eventos que o local já sediou e sedia. Cresceu tanto que já recebeu 150 mil pessoas (quase uma Itu inteira!) no evento SWU, realizado em 2010. Tomorrowland foi outro evento gigantesco que aconteceu nas terras dos Maeda. “Pode ser que retorne em 2020. Desde 2004, o maior evento de música eletrônica é feito aqui, o XXXperience”, conta. No próximo dia 21 de setembro, acontecerá mais uma edição do evento.

Gigante, como Itu, e como a humildade e dedicação dos Maedas!

( Texto e fotos: Rosana Bueno /Site de notícias Jornal de Itu)

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