Da periferia às pistas: Sara Gallo transforma vidas com esporte, estudo e propósito

A história de Sara Gallo, 42 anos, é daquelas que atravessam gerações e mostram, na prática, como o esporte pode ser mais do que atividade física. Pode ser caminho, identidade e transformação.

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Nascida em Mauá e criada em comunidade, Sara conhece de perto a realidade que hoje tenta transformar. “Eu me vejo nesses alunos”, resume. Ainda muito jovem, tornou-se mãe aos 16 anos, em um contexto onde o futuro parecia ter um roteiro já definido: terminar o ensino médio e trabalhar. Faculdade era algo distante, quase inalcançável.

Mas ela decidiu mudar essa história.

O esporte como ponto de virada

Apaixonada por esportes desde a adolescência, Sara encontrou neles não apenas lazer, mas direção. O futebol, que joga até hoje, atualmente na equipe feminina de Salto, virou também ferramenta de disciplina e autoconfiança. Hoje, divide a rotina entre os gramados e as quadras, praticando também pickleball no Sesi.

“O esporte sempre foi o que me movia. Era o que eu mais amava fazer”, conta.

Na infância, curiosamente, o castigo vinha justamente daí: quando aprontava, a mãe a proibia de praticar esportes. Sinal de que aquela paixão já dizia muito sobre quem ela seria.

Educação como escolha e conquista

A virada começou quando passou a trabalhar em um shopping. Foi ali que enxergou uma possibilidade concreta: pagar pelos próprios estudos.

Determinada, construiu uma trajetória acadêmica sólida e admirável. Formou-se em Educação Física, Pedagogia e Gestão Financeira. Também fez pós-graduações em Educação Física Escolar, Gestão Escolar e Ensino Lúdico, além de mestrado em Tecnologias Emergentes da Educação.

“Na minha realidade, ninguém falava em faculdade. Mas quando eu percebi que dava, eu fui.”

Transformando outras histórias

Hoje, Sara atua na Secretaria de Esportes de Itu como professora de atletismo no projeto Atleta do Futuro, em parceria com o Sesi, e também integra o trabalho com a equipe paralímpica da Escola de Cegos Santa Luzia, ao lado do técnico Edvaldo. Mais do que ensinar técnicas, ela ensina caminhos.

Em experiências anteriores como pedagoga, especialmente com crianças de regiões mais vulneráveis, como o bairro Alpes, percebeu algo essencial.

“Eles têm energia, gostam de desafio, mas muitas vezes ficam presos dentro da sala. O esporte foi o meu maior aliado para motivar esses alunos a estudarem.”

A estratégia era simples e poderosa: esporte como incentivo para o desempenho escolar.

Levar o esporte até onde ele não chega

Hoje, sua missão vai além das quadras. Sara quer democratizar o acesso.“Nem todos têm acesso ao Sesi, nem todos os pais conseguem levar e buscar. O esporte precisa estar onde a criança está, nas comunidades e nas escolas.”

Ela já articula novos projetos, inclusive para trazer o pickleball de forma estruturada para Itu, buscando parcerias e investimentos.Seu objetivo é claro: criar oportunidades reais.

Nosso corpo precisa de movimento

Para Sara, o esporte também é uma questão de saúde e consciência.“Nosso corpo não é uma máquina que, quanto menos usa, mais dura. É o contrário. Se você não usa, ele desativa. Quanto mais você usa, mais você tem.”

Mãe, avó e inspiração

Além da carreira, Sara carrega com orgulho sua história pessoal. É mãe de duas filhas, uma de 26 anos, fruto da adolescência, e Giovana, de 12. Também já é avó, com uma neta de 6 anos.

“Poucas pessoas têm a oportunidade de ver um bisneto na família. Isso também é uma conquista.”

Casada com Renato Andreazza, que conheceu em Goiás de forma inusitada, puxando conversa por causa de uma camiseta de Itu, construiu uma família longe dos padrões tradicionais do esporte. Ainda assim, criou seu próprio legado.

Muito além do futebol

Apesar da paixão pelo futebol, Sara faz questão de ampliar horizontes para seus alunos.“O esporte pode mudar a vida de uma pessoa, mas não precisa ser só futebol. Quem é bom em um esporte pode ser em vários. Existem muitas possibilidades.”

Mais do que formar atletas, ela quer formar pessoas confiantes, motivadas e com perspectiva.

Conectar pessoas, transformar futuros

Se existe uma palavra que define sua trajetória, talvez seja conexão. Conectar pessoas ao esporte. Conectar alunos ao conhecimento. Conectar sonhos à realidade.

“Fazer o que gosta muda tudo”, diz, com a certeza de quem vive essa verdade todos os dias.

E, no caso de Sara Gallo, mudou e continua mudando muitas vidas.

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