Eles também precisam se prevenir

O Câncer de próstata é o tipo de câncer mais comum entre os homens no Brasil, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. Para o triênio 2023-2025, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 71.730 novos casos por ano, o que representa um risco de aproximadamente 67,86 casos a cada 100 mil homens.
Além disso, os dados mostram que a maioria dos casos de câncer de próstata — e as mortes associadas — ocorrem em homens mais velhos, sobretudo a partir dos 60 ou 65 anos.

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No Brasil, em 2020, foram registrados cerca de 15.841 óbitos por câncer de próstata, correspondendo a uma taxa de mortalidade de 15,30 mortes a cada 100 mil homens.

Esses números por si só já mostram o impacto da doença — tanto no sofrimento individual quanto para a saúde pública.

Uma das características mais perigosas do câncer de próstata é que, em muitos casos, sua evolução é silenciosa — ou seja, o tumor pode se desenvolver sem sintomas evidentes por bastante tempo.

Quando surgem sinais, eles podem não ser específicos, como dificuldade para urinar, jato fraco, necessidade de urinar com frequência ou até sangue na urina. Mas esses sintomas podem ser confundidos com outras doenças benignas da idade.

Por isso, o diagnóstico precoce — via exames como o antígeno prostático específico (PSA) ou exame clínico via toque retal — pode fazer toda a diferença. Quanto antes detectado, maiores as chances de tratar com sucesso, antes que a doença avance.

Infelizmente, há uma forte barreira cultural que dificulta a prevenção entre muitos homens. Segundo reportagem recente, no Correio Braziliense, o exame de toque retal — ainda um dos métodos de rastreamento — causa medo ou repulsa em “um em cada sete homens”. 

Isso demonstra um padrão de negligência: embora a maioria (75%) dos homens diga conhecer o câncer de próstata, 85% afirmam não conhecer ou não saber os sintomas da doença, de acordo com o Portal de Urologia.

Essa resistência frequentemente tem raízes em tabus de masculinidade: vulnerabilidade, fragilidade ou sexualidade associadas ao exame muitas vezes geram vergonha, medo ou negação. Esse mesmo tipo de preconceito — social e cultural — foi enfrentado por muitas mulheres quando se trata da prevenção do Câncer de mama.

Assim como campanhas de conscientização e quebra de estigma ajudaram a popularizar o autoexame e a mamografia — salvando muitas mulheres — precisamos de um movimento equivalente para a saúde do homem. Não se trata de machismo frágil, e sim de coragem para cuidar de si. Cuidar de si mesmo não é fraqueza: é consciência.

Erica Gregorio jornalista, socióloga, escreve periodicamente em seu blog ericagregorio.com

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