Especial Dia das Mulheres: Dra. Marta de Almeida Lopes, compromisso com a saúde infantil

O Jornal de Itu começa uma série de entrevistas com mulheres de Itu que fazem dessa cidade um lugar melhor para se viver. Nossa primeira entrevista é médica pediatra Marta de Almeida Lopes: aos 61 anos, soma 35 anos dedicados à medicina. Pediatra formada em 1989 pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), é especialista em endocrinologia infantil. Moradora de Itu desde junho de 1994, trabalhou na Cemil e na Santa Casa da cidade. Atualmente, realiza atendimentos particulares e pela Unimed. Também está aposentada pela Prefeitura de Salto, onde atuou por quase 30 anos no serviço público.

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Paulista, filha de bancário e dona de casa, é uma entre seis irmãos — todos com formação em ensino superior, sendo uma irmã já falecida. Sua trajetória é marcada pela educação pública. “Sempre fiz ensino público na minha vida, por isso eu acho que eu devo aos serviços públicos os meus conhecimentos”, afirma.

Da pesquisa científica à pediatria

Na juventude, Marta sonhava em ser cientista. Durante a graduação, realizou iniciação científica — com patrocínio internacional — na área de dosagem de hormônios suprarrenais em recém-nascidos, acumulando mais de 800 coletas sanguíneas. Apesar da dedicação, decidiu mudar o rumo profissional. “Odiei o ambiente universitário por ser muito competitivo”, relembra.

Desde a adolescência, já demonstrava interesse pela endocrinologia. “Gosto de raciocínio lógico”, resume. Ao mesmo tempo, o interesse pelo comportamento infantil a conduziu à pediatria. “Eu gosto de ajudar as pessoas. E me interessa acompanhar o desenvolvimento infantil: quem come bem, vive bem…”, destaca.

Amor, parceria e a mudança para Itu

Marta foi colega de faculdade de Marcelo Pinheiro, com quem manteve amizade. Na graduação, conheceu também o pediatra Luigi Guercio, com quem se casou.

“Gostávamos muito de cultura, cinema, livros… Ele achava que eu era da Filosofia”, conta, lembrando do espírito livre e questionador que sempre carregou.

Após o casamento, o casal morou em Diadema, em um apartamento sobreloja de propriedade do sogro. A rotina era intensa. “Tinha dias que eu percorria 120 quilômetros só dentro de São Paulo”, recorda.

Quando a Santa Casa de Itu ampliava o quadro de médicos, Marcelo avisou sobre a oportunidade. O casal decidiu, então, migrar para o interior. Aos 29 anos, Marta chegou a Itu,  onde consolidou sua trajetória profissional e pessoal.

Maternidade transformadora

Um ano depois da mudança, nasceu a primeira filha, Ana Beatriz. Cinco anos mais tarde, Laura completou a família. Hoje, ambas vivem em São Paulo.

“Apesar de trabalhar com criança, eu decidi ser mãe um pouco mais tarde. E foi impactante pra mim, eu mudei muito depois da maternidade. Elas me enriqueceram muito”, afirma.

Ana Beatriz seguiu a área artística. Formou-se em Moda e atua com marketing digital, criando arte no ambiente digital para uma marca de joias.
Laura é formada em Direito e participa da elaboração e divulgação de conteúdos, além de atuar como assistente jurídica de uma plataforma (NUBO) que oferece cursinho online para população de baixa renda e com pouco acesso à internet, ampliando oportunidades educacionais para jovens em situação de vulnerabilidade.

Espírito livre e múltiplas experiências

De mente acelerada, Marta mantém a autenticidade que a acompanha desde a juventude — uma “menina filósofa” que questiona tudo ao seu redor. Confessa, com bom humor, que odeia esportes.

Trabalhou desde cedo. Vendia doces para festas infantis, fazia animação aos finais de semana e, na faculdade, comercializava bolos e roupas. “Era sacoleira…”, relembra sorrindo.

O alerta sobre a puberdade precoce

Na prática clínica, observa um aumento nos laudos de puberdade precoce em meninas. “Acredito que o aumento de notificações talvez seja devido a um acesso maior ao conhecimento, não apenas um aumento geral dos casos”, explica.

Ela chama atenção para os chamados disruptores endócrinos — substâncias que podem interferir na ação hormonal. “Isso impacta muito mais na criança, pois ela está em desenvolvimento”, afirma. Segundo a médica, há muitos mitos envolvendo alimentos como soja, frango e ovo. “Coitadas das granjas, isso não tem tanta influência… Os disruptores estão nos ultraprocessados, no óleo de lavanda”, exemplifica.

Outro ponto que considera preocupante é o tabu crescente em relação ao corpo infantil. “As mães e os pais estão deixando de olhar o corpo de seus filhos, por conservadorismo, e esquecem de dar Educação Sexual e acompanhar as etapas de desenvolvimento”, alerta.

Neste Dia das Mulheres, a trajetória da Dra. Marta de Almeida Lopes revela mais do que uma carreira sólida. Mostra uma mulher que transitou entre a pesquisa científica e a prática clínica guiada pelo raciocínio lógico, pelo compromisso com a educação pública e pela vontade genuína de cuidar e transformar vidas.

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