Estamos fugindo do quê?
A gente ouve falar que todo excesso esconde uma falta, mas olhando o comportamento em sociedade nos dias de hoje acredito que estamos vivendo em um momento de fuga. Fuga da vida real.
A realidade se tornou pesada após a pandemia e acaba sendo mais fácil viver em anestesia, se colocando em uma vida que parece ideal na foto ou no vídeo. O excesso te ajuda a manter-se distraído, fugindo da sua essência, da sua vida e da realidade.
O corpo ideal virou obsessão e hoje é possível ter a aparência que você desejar. Usamos a saúde como propósito, mas na verdade necessitamos da aparência ideal para nos sentirmos reais, pois nossa visão acabou distorcida com o excesso de imagens artificiais.
Nossa mente é bombardeada por informações de todos os lados e quase não filtramos nada. E boa parte dessa informação vem de forma artificial, sensacionalista e fakeada. A facilidade em obter informação gerou sobrecarga mental, inquietude e medo do futuro.
Os excessos emocionais se expressam de forma bem nítida nas reações de raiva desproporcionais, tanto nas relações afetivas, quanto em sociedade. Intolerância de todas as formas, discursos polarizados e linchamento virtual. Nunca houve tantos casos de depressão e ansiedade como atualmente, as emoções foram negadas e contidas, mas elas encontram um lugar para sair e isso é perigoso.
Espiritualmente, vivemos momentos difíceis, basta observar quantas referências espirituais estão sendo expostas e quantas pessoas estão entregues a discursos que podem levá-las a uma total desconexão com a realidade. E é importante ressaltar que práticas e vivências espirituais não te isentam da responsabilidade da vida e nem dos seus atos, sentimentos e pensamentos. Evolução e espiritualidade são vivência e esforço individual, não discurso.
Você tem fugido de quê?
Fernanda Bulhões, terapeuta holístisca
