Família de jovem acusa Santa Casa de omissão em atendimento; INCS nega
O drama da família de uma jovem de 16 anos começou no dia 30 de novembro. C. D. S. D. S. B. saiu de casa para fazer exame admissional: iria começar a trabalhar em uma loja no shopping. Porém, os planos dela foram alterados repentinamente: ela teve uma convulsão no meio da rua, e foi socorrida ao UPA Aparecida.
Segundo relato de sua tia, Dayana, mesmo medicada ela continuou convulsionando. Uma tomografia não mostrou nenhuma anormalidade cerebral, e ela passou por um neurologista em Sorocaba, mas também nada foi detectado.
“Ela continuou com crises a cada meia hora, mesmo com fortes calmantes. Acharam que era meningite viral, deixaram ela trancada em um quarto no UPA, amarraram ela por ela estar se debatendo e muito confusa mentalmente. Transferiram ela para o UTI do Hospital Dia na quinta, lá os médicos disseram que não era meningite. Colhiam só exame de sangue e urina e não aparecia nada. Na segunda, dia 7, transferiram para a Santa Casa às 15h e ficou até às 20h sem nenhum médico nem medicamento”, diz a tia.
Desesperada, temendo pela vida da sobrinha, ela começou a fazer vídeos no Facebook para denunciar possíveis negligências médicas e começou a sofrer represálias. “Os médicos começaram a reclamar, dizer que eu estava denegrindo a imagem deles, mas eu não citei o nome de ninguém”, reclama.
Segundo ela, os médicos não conseguiram um diagnóstico e cada um dizia algo diferente, não chegando a um acordo, e a jovem teria ficado sem neurologista e sem ressonância. O prontuário médico da jovem também teria sido negado para a família, e os médicos passaram a mal conversar com a família.
Entramos em contato com a Prefeitura de Itu, que não respondeu nossos questionamentos. A Secretaria Estadual de Saúde disse que “A Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross) auxiliou no processo de regulação da paciente para a Santa Casa de Itu no último dia 7. Além disso, há procedimento ambulatorial e especializado agendado para esta quinta-feira (17), no Ambulatório Médico de Especialidades de Itu.”
Em resposta aos nossos questionamentos, o INCS – Instituto Nacional De Ciências Da Saúde enviou a seguinte nota: “A paciente deu entrada na Santa Casa com crises reentrantes convulsivas, ou seja, convulsão que não cessa, estado clinicamente grave e totalmente atípico. Tão logo foi recepcionada, foi realizado o exame de ressonância magnética, com avaliação por neurologista com atuação em neurocirurgia. Na sequência, foi também realizada uma punção lombar, sendo diagnosticada a meningite viral (encefalite viral). Esses fatos foram devidamente relatados aos familiares que acompanham a paciente. Todavia, estranhamente, ou por motivos desconhecidos, informam que não foram recebidas informações e que tão pouco teria a paciente sido atendida por neurologista ou com diagnóstico clínico.”
O INSC diz ainda que “a assistência à paciente está totalmente adequada ao caso, inclusive, com o aval da neurologista chefe em conjunto com a equipe da UTI, onde todos concordaram com as condutas médicas realizadas. Todas as medicações de protocolos internacionais para conter as crises foram ministradas, sendo que deixou ela de apresentar novas convulsões, encontrando-se sedada e respirando com a ajuda de aparelhos. Ressalta-se que somente nesta segunda-feira é que foi formalizado o pedido de cópia do prontuário médico, documento este que, por força legal, não pode ser entregue a qualquer pessoa, ou, em caso de familiar, é exigido um pedido formal para o devido controle. Todavia, como a paciente ainda está em atendimento, não foi possível a pronta entrega, sendo que o mesmo será disponibilizado até esta terça-feira”
O texto finaliza dizendo que “a intenção de transferir a paciente para outra unidade de saúde é exclusivamente por causa da quebra da relação médico-paciente, neste caso, familiar, pois embora a equipe médica entenda que o tratamento é o correto, a família insiste na inadequação de condutas, a equipe entende “não estar mais apta a atender a paciente”, desta forma, visando então dar mais conforto aos familiares.”
A tia da jovem diz desconhecer a transferência dela.

Obrigada por nos ouvir
Serei eternamente grata
Quanto ao pronunciamento do hospital realmente lamentável, só conseguimos algo depois de muita exposição, lamento saber que minha família não é a primeira nem a última a sofrer