Igreja do Carmo resgata antigas procissões e promete novidades na Semana Santa de Itu

A Igreja de Igreja de Nossa Senhora do Carmo vem intensificando, nos últimos anos, um movimento de recuperação de antigas tradições religiosas da cidade, especialmente ligadas à Semana Santa. A iniciativa busca resgatar celebrações que marcaram a história da fé católica local e que, ao longo do século passado, acabaram desaparecendo ou sendo modificadas.

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Entre as tradições retomadas está o Ofício de Trevas, celebração que antigamente ocorria na Matriz de Nossa Senhora da Candelária e que, desde 2003, passou a ser realizada pelos carmelitas de forma adaptada na Igreja do Carmo. Mais recentemente, em 2025, a cidade voltou a presenciar a Procissão do Fogaréu, também conhecida como Procissão da Prisão do Senhor, que retornou após cerca de 130 anos e reuniu grande número de fiéis.

Somadas à tradicional Procissão de Passos e às demais celebrações litúrgicas do período, essas iniciativas ajudam a consolidar a Semana Santa ituana como uma das mais expressivas e tradicionais do Estado de São Paulo.

Procissão de Passos volta à data original

A programação de 2026 trará mudanças importantes. As celebrações começam no sábado, 21 de março, quando todas as imagens e crucifixos da igreja serão cobertos, gesto simbólico de recolhimento e luto que prepara os fiéis para a reflexão sobre a Paixão de Cristo.

No mesmo dia, após a missa das 18h, a imagem de Nossa Senhora das Dores será levada em procissão até a Matriz da Candelária, onde permanecerá até o dia seguinte para o tradicional encontro com a imagem de Cristo durante a Procissão de Passos.

Neste ano, a Procissão de Passos retorna à sua data original, no Primeiro Domingo da Paixão — o quinto domingo da Quaresma. A tradição era seguida até 1955, quando reformas litúrgicas promovidas pelo papa Pope Pius XII alteraram o calendário da Semana Santa e acabaram influenciando mudanças em diversas celebrações paralitúrgicas.

Procissão do Triunfo será restaurada

Outra novidade acontece no Domingo de Ramos, 29 de março, quando será retomada a Procissão do Triunfo. Apesar de conduzir imagens da Paixão, a celebração possui caráter festivo, simbolizando a vitória de Cristo sobre a morte e o pecado, em continuidade à tradicional procissão de ramos realizada pela manhã.

A programação inclui ainda o Ofício de Trevas, na véspera do Domingo de Ramos, e a segunda edição da Procissão do Fogaréu, que ocorrerá na noite da Quinta-feira Santa.

Sexta-feira Santa terá duas procissões

Uma das principais novidades deste ano será na Sexta-feira Santa, 3 de abril, quando voltará a ocorrer a chamada segunda Procissão do Senhor Morto, também conhecida como Procissão do Enterro. A tradição desapareceu no final da década de 1950 e agora será retomada logo após o recolhimento da procissão que parte da Matriz da Candelária.

A celebração será precedida por um sermão sobre o Descendimento de Cristo da Cruz e seguirá por um trajeto diferente da primeira procissão, oferecendo aos fiéis mais uma oportunidade de vivenciar intensamente o dia que recorda a Paixão e Morte de Jesus.

Cinco procissões na programação

Com as retomadas, a Igreja do Carmo contará neste ano com cinco procissões durante o tempo da Paixão:

  • Depósito de Nossa Senhora das Dores – 21 de março
  • Procissão de Passos – 22 de março
  • Procissão do Triunfo – 29 de março
  • Procissão do Fogaréu – 2 de abril
  • Procissão do Senhor Morto – 3 de abril

A organização das celebrações conta com a atuação da Irmandade do Senhor dos Passos, restaurada em 2026, cujos integrantes vêm se reunindo desde janeiro para preparar os detalhes dos eventos. A iniciativa também tem apoio dos frades carmelitas da cidade, especialmente do prior Frei Antonio Bento, que vê na preservação dessas tradições uma forma de evangelização.

Segundo os organizadores, o conjunto de fatores presentes em Itu — igrejas históricas, imagens sacras, tradição musical e forte participação popular — favorece o resgate dessas manifestações religiosas, consideradas parte importante do patrimônio cultural e espiritual da cidade.

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