Inflação da Cesta de Páscoa recua mesmo com alta do chocolate, aponta FecomercioSP
Item mais procurado para a data subiu quase 30% em um ano, enquanto produtos que atravessam as celebrações ficaram abaixo da inflação geral
A Páscoa de 2026 deve pesar menos no bolso dos brasileiros. Levantamento da FecomercioSP, com base no IPCA-15 do IBGE, mostra que os alimentos mais consumidos no período tiveram alta média de 0,59% em 12 meses — bem abaixo da inflação geral acumulada até fevereiro, de 4,1%.
O aumento também é menor do que o registrado na Páscoa anterior, quando esses mesmos itens subiram 2,45%, segundo a entidade.
Para chegar ao resultado, o estudo considerou uma cesta com 14 produtos tradicionalmente procurados na data, como chocolates, pescados, vinhos e pães, calculando a variação média de preços desses itens em comparação com a inflação geral do país.

Se, por um lado, a inflação da cesta de Páscoa é menor, por outro, o principal item da data está mais caro. O chocolate — especialmente barras e bombons — acumulou alta de 26,11% em um ano, após já ter subido 15,6% na Páscoa anterior.
Esse aumento está ligado, principalmente, à valorização do cacau no mercado internacional desde 2024. Mesmo com uma leve desaceleração recente, os preços ainda seguem pressionados no Brasil. Como o IBGE não considera o ovo de Páscoa em seus levantamentos, por ser um produto sazonal, a tendência é que ele acompanhe a alta do chocolate.
Em contrapartida, alguns itens ajudaram a conter a inflação da cesta. O arroz apresentou queda de 28% no período, enquanto o azeite recuou 24,12%, após forte alta no ano anterior. Outros produtos importantes nas refeições de Páscoa, como alho (-21,5%) e ovos (-5,14%), também registraram redução nos preços.
Na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), no entanto, a cesta deve pesar um pouco mais no bolso. De acordo com a FecomercioSP, os itens mais procurados na data tiveram alta de 3,48%, ainda abaixo da inflação geral da região, que ficou em 4,69% nos últimos 12 meses.

Em 2025, vale lembrar, a cesta de Páscoa na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) havia registrado alta de 4,38%, segundo a FecomercioSP.
Neste ano, o principal impacto nos preços deve vir novamente do chocolate, considerado o “vilão” da data: barras e bombons acumulam alta de 26,74%, enquanto o achocolatado subiu 22,57%. Outros itens também contribuíram para pressionar a cesta, como o tomate (15,35%) e a azeitona (7,53%). Por outro lado, o azeite de oliva apresentou a maior queda, com recuo de 25,49%.
Para a FecomercioSP, o cenário ainda é positivo para o varejo. O mercado de trabalho aquecido segue sustentando o consumo e mantendo a atividade econômica. No entanto, o aumento nos preços do chocolate pode impactar a demanda, levando parte dos consumidores a rever seus planos de compra.
Diante disso, a entidade recomenda que o comércio invista em estratégias como promoções, descontos e condições de pagamento mais flexíveis para atrair clientes e impulsionar as vendas no período.
