Itu tem 88 orelhões e entra na reta final da telefonia pública no Brasil

Itu ainda possui 88 orelhões instalados em seu território, mas esse cenário deve mudar a partir de 2026. O ano marca o início da retirada definitiva dos telefones públicos das ruas brasileiras, encerrando um ciclo que atravessou décadas e marcou gerações.

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De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), cerca de 38 mil orelhões ainda existem no país. A desativação ocorre após o fim das concessões do serviço de telefonia fixa, encerradas no ano passado.

Fim da obrigação das operadoras

Com o término dos contratos, as empresas responsáveis pelos aparelhos deixam de ter obrigação legal de manter os equipamentos. A retirada começa já em janeiro, com foco inicial nos aparelhos desativados ou deteriorados.

Os telefones públicos só deverão ser mantidos, até 2028, em locais onde não há cobertura de telefonia celular, principalmente em áreas remotas.

Memória urbana

Durante décadas, os orelhões foram fundamentais para a comunicação no Brasil, especialmente entre os anos 1970 e o início dos anos 2000. Serviam para emergências, recados rápidos e até como ponto de encontro.

O clássico aviso de “chamada a cobrar” marcou gerações, assim como o uso das fichas telefônicas e, posteriormente, dos cartões telefônicos. Nos últimos anos, porém, o avanço dos smartphones tornou o equipamento cada vez menos necessário.

Todos, menos um

Se os orelhões comuns estão com os dias contados, Itu continuará mantendo viva essa memória cultural — em escala gigante.

A réplica do Orelhão de Itu, instalada na Praça da Matriz, segue como um dos principais pontos turísticos da Estância Turística e um dos símbolos da fama de “cidade onde tudo é grande”.

A história remonta a 1973, quando o ex-ministro das Comunicações, Higino Corsetti, cedeu o equipamento, instalado pela antiga Telesp na Praça da Matriz. Com sete metros de altura, o orelhão foi produzido na mesma fábrica que fabricava os modelos convencionais.

A iniciativa foi impulsionada pelo humorista Simplício, do programa “A Praça da Alegria”, da extinta TV Tupi, que ajudou a consolidar a imagem de Itu como a cidade dos exageros — abrindo caminho para o desenvolvimento turístico. O ex-prefeito Lázaro Piunti relembra que a instalação foi um ato de marketing, mas também um marco para o desenvolvimento da cidade. “Itu é prefixo 11, igual à capital do Estado, então isso ajudou muito o desenvolvimento da cidade, quando era necessário pagar interurbano”, recorda.

Veja fotos do dia da inauguração:

O equipamento passou por reformas ao longo dos anos: em 2000, após a privatização da Telesp; em 2012, com a mudança de marca da operadora; e, em 2019, quando voltou a exibir as cores originais da Telesp e a histórica ficha telefônica.

Design que virou ícone

Criado em 1971 pela arquiteta Chu Ming Silveira, o orelhão brasileiro se destacou mundialmente pelo design e pela funcionalidade acústica. O formato em concha ajudava a reduzir ruídos externos e proteger quem estava falando.

Mais do que um equipamento urbano, o orelhão se tornou um símbolo cultural. Recentemente, voltou ao imaginário popular ao aparecer no cartaz do filme O Agente Secreto, indicado pelo Brasil ao Oscar 2026, reforçando o valor histórico e afetivo do aparelho.

Enquanto os 88 orelhões de Itu caminham para o fim, um deles seguirá gigante — preservando a memória de uma época em que esperar na fila, com uma ficha nas mãos, para fazer uma ligação fazia parte da rotina brasileira e de uma geração que ainda sabia esperar…

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