Maria Sofia Vidigal Pacheco: fé, família e a missão de preservar a história e o turismo de Itu
Entre tantas histórias que ajudam a construir a identidade de Itu, a de Maria Sofia Vidigal Pacheco e Silva, merece destaque — especialmente neste Mês das Mulheres, quando sua trajetória de fé, dedicação à família e compromisso com a cultura e o turismo regional ganha reconhecimento.
Aos 58 anos, Maria Sofia carrega uma vida marcada por valores profundos. Filha de uma família com dez irmãos, cresceu cercada por tradições. Seus pais descendem de Suzana Dias, neta de Tibiriçá e João Ramalho, nomes ligados à formação histórica do interior paulista. A ligação com a história, portanto, sempre fez parte de sua origem.
Criada em São Paulo, foi na capital que encontrou o amor que transformaria sua vida. Aos 25 anos, conheceu Ricardo durante o Carnaval. Uma viagem para Laguna aproximou o casal — e um detalhe simples marcou para sempre sua memória: ela se apaixonou ao vê-lo perguntar à irmã se eles achariam um missa durante a viagem.
“Ele sempre foi divertido, boa praça. Cantava no coral da Cultura Inglesa e me chamou para assistir. Para isso, me deu dois chumaços de algodão para colocar nos ouvidos… para você ver o quanto ele é brincalhão”, lembra, sorrindo.
Com o tempo, perceberam que o destino já os cercava: tinham amigos em comum, moravam próximos e até as famílias se conheciam. Em 1995, se casaram.

No ano seguinte, surgiu uma decisão que mudaria o rumo da família — e ajudaria a preservar parte importante da história de Itu. Ao dividir seus bens, o sogro perguntou se o casal queria a antiga Fábrica São Luiz, já tombada pelo Condephaat e desde o ano passado, Patrimônio Nacional. Maria Sofia não hesitou.“Eu me apaixonei por ela.”
Advogada formada pela Universidade Mackenzie, abraçou o desafio e e iniciaram o restauro do prédio. Em 2007, quando o imóvel por problemas familiares, teve revertida a doação e o imóvel iria a leilão, ela e o marido decidiram comprá-lo definitivamente, consolidando o compromisso com a preservação do patrimônio histórico.
O desejo de viver no interior já existia. Durante anos, as férias eram passadas na fazenda da família do marido, o Vassoural, em Itu. Mas foi a violência crescente na capital que levou à decisão definitiva: mudar de vida.
Foi em Itu que construiu seu maior legado pessoal: a família. Criou quatro filhas, quatro Marias — Manuela, Vitória, Clara e Fernanda — e fala delas com emoção. “Pelas minhas filhas eu deixo tudo.”

Ela lembra de viagens de madrugada, de mudanças de planos e de semanas inteiras dedicadas ao cuidado das filhas, como quando uma delas sofreu um acidente em Bauru e precisou de acompanhamento constante.
Essa entrega tem raízes profundas. Maria Sofia mantém forte ligação com os pais, Celso da Costa Carvalho Vidigal e Gilda de Oliveira Ribeiro da Costa Carvalho Vidigal. Ela conta que o pai participou da fundação da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP), ao lado de Plinio Corrêa de Oliveira.

A fé sempre esteve presente na família — e continua sendo um dos pilares da sua vida. Desde 2004, ela organiza uma das iniciativas culturais mais simbólicas da cidade: a tradicional mostra de presépios, hoje referência regional. O evento reúne cerca de mil presépios e aproximadamente 10 mil peças pertencentes à coleção dela e da irmã, Maria Teresa de Oliveira Ribeiro Vidigal.
Há cerca de dez anos, Maria Sofia também distribui medalhas de Nossa Senhora das Graças — iniciativa que começou após a doença do pai. “Já distribuí milhares. As pessoas recebem com carinho, mesmo quando não são católicas: “Ela é mãe… quem vai ser contra uma mãe?” A espiritualidade faz parte do cotidiano da família. Além da missa, a família (pais e alguns filhos) rezam o terço diariamente, às 21h30.
Turismo
Paralelamente, Maria Sofia atua diretamente no desenvolvimento turístico regional. Integra a diretoria da Associação Pró-Desenvolvimento do Turismo Regional (Prótur), presidindo a Região Turística Nacional e Estadual Roteiro dos Bandeirantes, composta pelas cidades fundadas pelos Bandeirantes: Santana de Parnaíba, Pirapora do Bom Jesus, Araçariguama, São Roque, Cabreúva, Itu, Salto, Porto Feliz e Tietê, valorizando a História, patrimônio, cultura, gastronomia e memória.
Por tudo isso, neste Mês das Mulheres, sua história simboliza mais do que realizações pessoais. Representa a força silenciosa de quem preserva tradições, fortalece a família, promove cultura e mantém viva a identidade de uma cidade inteira.
Porque, para Maria Sofia, turismo não é apenas visitação: É memória. É identidade. É missão.
