“Na minha época era melhor!” – como você se comunica com seu adolescente?

É muito comum vermos adultos se referindo à adolescência como “aborrecência”. É bem comum, também, vermos adultos, muitas vezes pais de adolescentes, fazendo comparações entre as gerações com falas do tipo: “Na minha época, as músicas eram melhores”; “Na minha época, respeitávamos mais nossos pais”; “Na minha época, tínhamos mais responsabilidade”. Também é comum vermos adultos criticando roupas de adolescentes, gostos musicais, interesses, opiniões e comportamentos característicos dessa fase. Você pode até achar que a sua época de adolescência foi melhor que a atual, mas comparações e críticas como essas provocam, apenas, mais conflitos entre gerações e afasta o adolescente de você.

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Muitos adultos se esquecem que já foram adolescentes um dia e que já viveram, muito provavelmente, as mesmas críticas e comparações. A verdade, no entanto, é que não existem épocas melhores ou piores, mas a época em que cada um viveu. Consegue me entender? Eu quero dizer que, se você não viveu a sua adolescência na época atual, como pode saber qual é a melhor? A experiência de cada ser humano é única e, por isso, é impossível a comparação.

O que falta no adulto, hoje, talvez seja um pouco mais de empatia. Colocar-se no lugar do adolescente significa lembrar-se que você já viveu essa fase e também sofreu com todas as mudanças físicas, emocionais e sociais que ela traz. O cérebro do adolescente está ainda amadurecendo e, portanto, ele ainda tem maiores dificuldades de regular emoções, de analisar as consequências de seus comportamentos e de controlar os próprios impulsos. O adolescente se desenvolve e forma sua identidade por meio da convivência com o grupo de amigos, das mudanças de cabelo e estilos de roupas, do interesse por novas músicas, leituras, política, crenças e experiências.

É nas mudanças características de sua fase de desenvolvimento que o adolescente se diferencia dos pais e familiares. Ele já começa a ter suas próprias opiniões e valores, muitas vezes diferentes das opiniões e valores dos pais. E é aí onde, muitas vezes, os conflitos surgem. No fundo, os pais gostariam que os filhos fossem como eles ou, pelo menos, seguissem seus conselhos. Temos que aceitar que aquela criança que enxergava-nos como heróis é, hoje, capaz de perceber que somos imperfeitos e discordar de nossas opiniões. E eu sei que isso dói, muitas vezes. No final das contas, nossos filhos serão ou muito parecidos conosco; ou terão muito de nós e ainda assim serão diferentes; ou serão bem diferentes de nós. O que importará, realmente, é que você consiga educar um ser humano ético, independente e emocionalmente saudável.

O adolescente precisa – e deseja – ser acolhido, compreendido, ouvido, respeitado. Ele quer que você, mãe, pai, professor ou outro adulto significativo para ele, se interesse pelo seu mundo – o mundo externo e o mundo interno. Você não precisa gostar ou concordar, basta se interessar, ouvir sem julgar, compreender, respeitar, dialogar.

Pode parecer que, neste texto, eu esteja defendendo os adolescentes ou “tomando partido”. Essa não é minha intenção, pois não existe lado certo ou lado errado. Não é uma competição de quem tem mais ou menos razão. Cada caso é um caso e cada relação pais-filho tem suas próprias particularidades. Eu quero, na verdade, tentar reconectar as gerações e ajudar adolescentes e adultos a terem um relacionamento mais empático, acolhedor, afetuoso e saudável. O adulto é a referência do adolescente e tem papel extremamente necessário em sua educação. Por mais que muitas vezes não pareça, seu adolescente precisa (e muito) de você.

Dinorá de Paiva Anastacio

Psicóloga da infância e adolescência

CRP: 06/88549

Instagram: @dinorapsicologa 

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