Patrícia Seto: o prazer de cuidar e a força de recomeçar
No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, a história de Patrícia Aparecida Prazeres, 36 anos, é um retrato de sensibilidade, coragem e transformação. Fisioterapeuta, terapeuta holística, mãe de três filhos e voluntária ativa em causas sociais, ela carrega no sobrenome Seto — herdado da mãe e da avó materna, de origem japonesa — a força de mulheres que vieram antes dela.
Vocação para o cuidado
Desde pequena, Patrícia já demonstrava vocação para o cuidado. Sonhava em ser médica e dedicar-se a crianças e idosos. Na adolescência, porém, a dança ganhou espaço em seu coração. Foi acompanhando a mãe em uma sessão de fisioterapia que encontrou, aos 18 anos, o caminho profissional que uniria técnica e sensibilidade: ingressou no Ceunsp e iniciou sua trajetória na Fisioterapia.
Começou estagiando em uma clínica, mas logo percebeu que o modelo tradicional, especialmente com convênios, limitava o atendimento à parte física. Faltava algo. Chegou a passar seis meses em Santos, fazendo cursos e repensando seus propósitos. O divisor de águas veio em 2014, com um curso de reflexologia podal no Senac. Ali, aprofundou-se na conexão psicossomática e encontrou o que buscava: um olhar integral sobre o ser humano.
“Eu não trabalho apenas com a parte física, mas também emocional”, explica. A partir desse momento, passou a compreender o paciente de forma holística, entendendo que corpo e mente caminham juntos.

Maternidade e empreendedorismo
Grávida do primeiro filho, Ian, sentia o instinto materno pulsar forte — e também a necessidade de conciliar maternidade e propósito profissional. Em 2015, tornou-se sócia de uma clínica de pilates. Depois, assumiu o espaço sozinha e fundou o Instituto Seto, na Vila Nova, onde chegou a coordenar uma equipe de 12 profissionais.
Em 2018, durante a gestação da segunda filha, Betânia, viveu um movimento inverso: decidiu se recolher e voltar a atender sozinha. Mais tarde, na pandemia, com três filhos pequenos — Ian, Maria Clara e Betânia, hoje com 11, 8 e 6 anos — viu-se impossibilitada de trabalhar. Foi então que começou a atender em casa.

O reencontro consigo mesma
No meio da rotina intensa, veio também um chamado interno. Após o nascimento de Maria Clara, enfrentou uma depressão pós-parto. “Eu trabalhava demais, tinha dois filhos pequenos e havia me perdido de mim mesma. A terapia me ajudou a encontrar o caminho de volta para casa”, relembra.
Entre as orientações recebidas estava a de voltar a dançar — e também permitir-se ser cuidada. “Eu cuidava de todo mundo, mas ninguém cuidava de mim. Precisei aprender a receber.” Hoje, além dos atendimentos na clínica e a domicílio, faz aulas de balé clássico e contemporâneo, dá aulas de dança de salão e flexibilidade, e segue se aperfeiçoando, inclusive com curso de pré-pontas.

Voluntariado e novos caminhos
Após a separação, Patrícia também encontrou propósito no voluntariado. Tornou-se embaixadora da ONG Não Posso Me Calar, que auxilia mulheres vítimas de violência doméstica. Em sua clínica, realiza sessões semanais de Reiki solidário: com a doação de um quilo de alimento ou um litro de leite, as pessoas recebem atendimento, e os donativos são destinados à instituição.

Seu trabalho voluntário também se estende à Fraternidade Espírita São Francisco, onde aplica Reiki solidário e atua como trabalhadora e palestrante.
Além da prática clínica, Patrícia investe em formação contínua. Faz pós-graduação em Constelação Sistêmica e mantém-se em constante aprendizado. Mesmo com agenda cheia, encontra tempo para palestras voltadas à orientação de mulheres sobre violência doméstica, reforçando que informação é ferramenta de libertação.
Atualmente, o Estúdio Casarão funciona em espaço compartilhado na Avenida Caetano Ruggieri, consolidando uma nova fase profissional. Na vida pessoal, vive um relacionamento leve e saudável com Sérgio Aparecido de Moraes, seu companheiro há três anos. “Eu fui me cuidar, fazer terapia, justamente para sair de padrões antigos e buscar um perfil diferente de relacionamento.”
Patrícia reconhece que sua força tem raízes profundas. Conta com o apoio fundamental dos pais, Lídia e Moacir, na rotina com os filhos — sua base e rede de apoio. Mas, acima de tudo, atribui à mãe e às avós a mulher que se tornou.

“Tudo que sou hoje devo a essas mulheres fortes que vieram antes de mim.”
Entre recomeços, maternidade, espiritualidade, dança e cuidado, Patrícia Seto constrói diariamente sua história — provando que cuidar do outro começa, antes de tudo, pelo compromisso de cuidar de si mesma.
