Qual é a visão Espírita do Carnaval?

O Carnaval é uma das maiores expressões culturais do Brasil. Presente em todas as regiões do país, reúne milhões de pessoas em desfiles de escolas de samba, blocos de rua, bailes, trios elétricos e festas populares que atravessam gerações. Diante de tamanha relevância social, surge uma pergunta pertinente: qual é a visão da Doutrina Espírita sobre essa festividade?

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A Doutrina Espírita tem como fundamento a existência de Deus, soberanamente justo e bom, que nos rege por meio de Leis divinas inscritas na consciência de cada ser humano. Não se trata de uma doutrina moralista ou proibitiva. O Espiritismo não impõe condutas nem determina restrições externas; orienta, esclarece e convida à reflexão. Reconhece o livre-arbítrio como Lei Natural, mas ressalta que toda escolha traz consequências — morais e espirituais.

Origens históricas e significado

Para compreender o Carnaval, é preciso olhar para suas raízes históricas. Festividades semelhantes remontam à Antiguidade, como as Sacéias da Babilônia (cerca de 2000 a.C.), nas quais prisioneiros assumiam simbolicamente o papel de reis, e as celebrações greco-romanas, como as Bacanais e Saturnálias, marcadas por excessos e inversões sociais.

A própria etimologia da palavra Carnaval, derivada do latim Carnis Levale (“retirada da carne”), remete à tradição cristã da Quaresma — período de 40 dias que antecede a Páscoa, dedicado ao jejum e à disciplina dos prazeres materiais. Assim, historicamente, o Carnaval se situa entre a permissividade cultural e o chamado à reflexão espiritual.

Festa ou excesso?

Sob a ótica espírita, é importante distinguir a festa em si do ambiente e das atitudes adotadas. O ato de confraternizar, alegrar-se e celebrar não carrega, por si só, nenhum mal. Em muitas cidades do interior, por exemplo, o Carnaval ainda preserva um caráter familiar, de convivência saudável e diversão equilibrada.

O ponto central está na conduta individual. Quando há respeito ao próximo, bom senso, moderação e responsabilidade, não há incompatibilidade com os princípios cristãos. Contudo, ambientes marcados por violência, erotização excessiva, abuso de álcool, uso de drogas e práticas irresponsáveis podem favorecer consequências indesejadas — tanto no plano material quanto no espiritual.

Consequências espirituais e sintonia

A Doutrina Espírita ensina que vivemos em constante intercâmbio com o mundo espiritual. Pela lei de sintonia, atraímos Espíritos que vibram na mesma faixa de nossos pensamentos e sentimentos. Ambientes onde predominam os excessos e os instintos podem facilitar a aproximação de entidades ainda ligadas a padrões inferiores de comportamento.

O Espírito Manoel Philomeno de Miranda, na obra Nas Fronteiras da Loucura, psicografada por Divaldo Franco, registra observação atribuída ao Espírito Dr. Bezerra de Menezes sobre o período carnavalesco, destacando que muitos se deixam levar por sensações imediatas, afastando-se temporariamente dos valores espirituais que professam no cotidiano. A reflexão proposta não é de condenação, mas de consciência.

Livre-arbítrio com responsabilidade

O ensinamento de Jesus — “orai e vigiai” — permanece atual. Significa manter a vigilância sobre pensamentos e atitudes, usando a liberdade com sabedoria. A máxima cristã “fazer ao próximo o que gostaria que lhe fizessem” serve como critério seguro para qualquer decisão.

Para muitos espíritas, o período pode ser oportunidade de repouso, leitura edificante, convívio familiar ou participação em retiros espirituais. Toda atividade útil e moralmente construtiva é considerada trabalho digno e instrumento de evolução intelectual e moral.

Entretanto, caso se opte por participar das festividades, a recomendação é clara: equilíbrio, respeito, consciência tranquila e responsabilidade.

Uma reflexão final

O Carnaval, como qualquer manifestação humana, reflete o nível moral e espiritual da sociedade que o realiza. A Doutrina Espírita não aponta culpados nem impõe proibições; convida cada indivíduo ao exame de consciência. A decisão é sempre pessoal, mas as consequências acompanham cada escolha.

Mais do que julgar a festa, importa perguntar: minhas atitudes estão em harmonia com as Leis de Deus inscritas em minha consciência? Estou contribuindo para o bem ou cedendo a impulsos que me afastam de meus próprios valores?

A resposta, ensina o Espiritismo, encontra-se dentro de cada um de nós.

Marcio Filomeno

Centro Espírita Fraternidade Francisco de Assis – Itu

One thought on “Qual é a visão Espírita do Carnaval?

  • Parabéns pelo artigo, sobre o Carnaval sobre a visão Espirita, vale muito a reflexão que nos propõem, e por mais o Carnaval chame ainda mais nossa atenção, pela grandeza do evento que hoje mundialmente conhecida, e infelizmente não no melhor sentido da cultura.
    Os atuais conhecidos “bailes” cooptam nossos jovens onde a sintonia inferior prevalece, e a saída nem sempre é a escolha mais fácil. Independente do ambiente em que estiver direciono aqui em especial aos pais “Orai e Vigiar”.

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