Regiane Shiga: a transformação pela Educação

Seu sorriso transparente revela uma alma serena, moldada pelo trabalho, pela fé e pelo amor à Educação. Aos 51 anos, Regiane Shiga Muracami Araújo carrega na trajetória a força de quem transformou desafios em propósito. Mãe de três filhos — um já falecido —, é mãe de Maria Luiza, de 14 anos, e de Lucas, hoje com 23. Esposa de Adriano Muracami, ela construiu na Educação não apenas uma profissão, mas uma missão de vida.

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Nascida em Osasco (SP), formou-se em Magistério, sua primeira profissão. Após quatro anos atuando na área, decidiu aproveitar a descendência japonesa para trabalhar no Japão como operária. A princípio, o objetivo era simples: juntar dinheiro para comprar um Fusca. Mas a experiência foi muito maior do que imaginava.

“Eu passava Natal e Ano Novo trabalhando em fábricas… e eu não me sentia pertencente, apenas uma mão-de-obra que trabalhava 16 horas por dia. Fiquei com medo de não aceitarem o meu filho”, relembra.

Foram nove anos de trabalho intenso, enviando dinheiro para ajudar os pais no Brasil. A vivência no país asiático deixou marcas profundas. “A cultura japonesa me acrescentou gratidão, disciplina e muito respeito às pessoas”, afirma.

Com a gravidez de Lucas, decidiu retornar ao Brasil para criá-lo aqui. Escolheu Itu como cidade para recomeçar, em busca de qualidade de vida ao lado dos pais. Voltou a estudar e prestou concursos, passando a atuar na rede pública. Durante um período, acumulou três empregos: na Prefeitura de Itu, na rede Estadual de Ensino e também na iniciativa privada.

“Teve um momento em que entendi que eu precisava ter uma vida mais equilibrada. Muitas mulheres da minha família não puderam viver muito tempo devido ao excesso de responsabilidade e trabalho. Eu precisava ser diferente. E com isso, nesse ano, eu escolhi desacelerar”, pontua.

Regiane foi coordenadora de Educação Inclusiva e atualmente leciona na Educação de Jovens e Adultos (EJA) na rede municipal de ensino. Sua empatia com os alunos nasce também das próprias vivências. Ela conta que sempre gostou de trabalhar com os vulneráveis; recentemente um aluno com mais de 70 anos lhe disse que se sentia “cego por olhar e não saber ler”. “Quando ele falou isso, eu me lembrei de como eu me sentia no Japão, sem dominar a língua, bastante perdida…só quem passa por dificuldades, sabe o quanto ficamos frágeis e precisamos de apoio, respeito e solidariedade das pessoas” afirma.

Sua formação acadêmica inclui Letras, Pedagogia, Psicopedagogia, Arte-Terapia em Educação, Atendimento Educacional Especializado, Educação Especial Inclusiva, Alfabetização e Gestão Escolar. O aprendizado contínuo sempre foi uma prioridade.

“Sempre busquei aprender para trabalhar melhor com Educação.”

Em 2019, surgiu a oportunidade de assumir a Unidade da Tutores, escola que mais tarde se transformaria na Miraluz. Durante a pandemia, precisou recomeçar: devolveu a franquia e estruturou um novo projeto com identidade própria. Hoje, a Miraluz atua não apenas com reforço escolar, mas também com acompanhamento acadêmico, parental e direcionamento individual dos estudantes.

“Não é só sobre conteúdo. É acompanhar a família, a escola e atendimentos clínicos, para que a criança e o jovem se desenvolvam por inteiro. Sou gestora de mais de 30 professores de diversas disciplinas, e tenho uma equipe administrativa com uma mulher maravilhosa, a Flaviana”

Com olhar atento e acolhedor, dedica-se especialmente às crianças e jovens neurodivergentes e àquelas que enfrentam dificuldades escolares que afetam a autoestima. Para ela, educar é muito mais do que transmitir conhecimento.

“A gente não ensina só conteúdo. A gente quer que o aluno encontre propósito de vida.”

Após três décadas de atuação, ela colhe frutos que vão além da sala de aula. Muitos de seus ex-alunos hoje levam seus próprios filhos para estudar com ela. “Na hora, a gente não percebe que está plantando sementes. Está deixando um pedacinho de você dentro daquela pessoa. E isso é eterno.”

Entre a disciplina japonesa, a fé que atravessa diferentes caminhos espirituais e a sensibilidade de quem acredita no poder transformador do ensino, Regiane segue fazendo da Educação um gesto diário de amor.

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