A educação de filhos e o ódio nas eleições – o que uma coisa tem a ver com a outra?

Na primeira semana após as últimas eleições, alguns de meus clientes, crianças e adolescentes, foram agredidos verbal e/ou fisicamente por colegas de escola ou até mesmo excluídos dos grupos de amigos. Por quê? Simplesmente, por apresentarem opiniões políticas diferentes.

Receba as principais notícias do dia no WhatsApp!
Entre agora no nosso grupo oficial e fique por dentro de tudo em primeira mão.
👉 Entrar no grupo do WhatsApp

É fato que vivemos – e ainda estamos vivendo – uma polarização política, que resultou em ódio, violência e discriminação. Se isso é preocupante entre adultos, é ainda mais preocupante entre crianças e adolescentes. Se para nós, adultos, foi difícil lidar com essa situação toda, para eles – com cérebros ainda em desenvolvimento – é muito mais difícil.

Crianças não têm, ainda, desenvolvimento cognitivo suficiente para discernir o que é melhor ou não para o futuro de um país, devido ao nível de complexidade que esse tema engloba.

As opiniões que elas externalizam são apenas uma reprodução das opiniões de seus próprios pais e/ou de pessoas significativas para elas. É somente na adolescência que essa capacidade de discernimento começa a amadurecer e é quando opiniões próprias, muitas vezes diferentes das dos pais, começam a surgir – não é à toa que o direito ao voto é adquirido apenas aos dezesseis anos.

Crianças e adolescentes aprendem pelos exemplos que eles possuem. Eles reproduzem o que as pessoas mais próximas e significativas dizem ou fazem. Se você agredir seu vizinho por ele ter uma opinião política diferente da sua, muito possivelmente seu filho fará o mesmo com o colega da escola.

Muitos de nós esquecemos, nesse momento histórico, que o respeito e a empatia são a base para relacionamentos saudáveis, em todos os âmbitos de nossas vidas. É nosso dever, como pais, ensinar nossos filhos a respeitarem as diferenças e a se colocarem no lugar do outro, a fim de entenderem seus sentimentos e intenções – isso se chama empatia. Sem respeito e empatia, os relacionamentos pessoais estarão fadados ao fracasso, sendo impossível conviver saudavelmente em sociedade.

Se você, adulto, não consegue respeitar a opinião política do outro, como você será capaz de ensinar seu filho a ter respeito pelas opiniões diferentes das dele? A melhor educação que você pode dar a ele é seu próprio exemplo.

O “mundo melhor” que você quis obter com seu voto nas urnas deve começar muito antes – dentro da sua casa, no seu ambiente profissional e social, por meio de suas próprias atitudes e valores, ou seja, por meio de seu próprio exemplo.

Dinorá de Paiva Anastacio

Psicóloga da infância e adolescência

CRP: 06/88549

Instagram: @dinorapsicologa

2 thoughts on “A educação de filhos e o ódio nas eleições – o que uma coisa tem a ver com a outra?

  • Muito oportuno o artigo em questão. Basta olhar a recente tragédia no ataque às escolas de Aracruz/ES, onde o atirador utilizou armamento do pai, policial militar. Não obstante a eventual responsabilidade dos pais, que sera objeto de apuraçao, não devemos individualizar a figura do autor do crime. A sociedade tambem devera refletir quanto a sua responsabilidade nessa tragedia. Vamos partir para a soluçao de conflitos por meio da violência, eliminando os outros, os divergentes, ou vamos dialogar, buscando a conciliaçao e negociando o contraditório em um processo civilizatório? Enquanto sociedade, temos o poder moderador para mitigar ou permitir esse violência. Temos o poder de exigir o desarmamento dos cidadãos. Voce, eu, nós…não somos inocentes nesse processo.

    Resposta
  • Pingback: A educação de filhos e o ódio nas eleições – o que uma coisa tem a ver com a outra? » Agenda Itu

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *