Saúde Mental de Mães Atípicas: O Peso Invisível do Cuidado
Abril é o mês da conscientização do autismo, um período dedicado a ampliar o conhecimento e a inclusão das pessoas no espectro. No entanto, hoje quero voltar o olhar para uma figura muitas vezes invisível: a mãe atípica. Ela, que se dedica incansavelmente ao cuidado do filho neurodivergente, enfrenta desafios diários que impactam diretamente sua saúde mental. É essencial falar sobre esse tema, para que essas mães recebam o reconhecimento e o suporte que merecem.
Ser mãe já é um desafio, mas quando se trata de uma mãe atípica – que cuida de um filho neurodivergente ou com deficiência – esse desafio se multiplica. A rotina exaustiva de terapias, consultas médicas e demandas constantes pode levar à sobrecarga física e emocional, tornando essencial discutir a saúde mental dessas mães.
Muitas vivem uma solidão silenciosa, pois a sociedade ainda não compreende a complexidade do cuidado que elas oferecem. O cansaço não é apenas físico, mas também emocional, resultado de uma luta diária para garantir os direitos e o bem-estar dos filhos. A falta de suporte adequado, o afastamento de amigos e familiares e a dificuldade de encontrar momentos de descanso contribuem para sentimentos de isolamento.
As consequências dessa sobrecarga na saúde mental das mães atípicas são alarmantes. Pesquisas indicam que essas mulheres apresentam níveis significativamente mais elevados de estresse, ansiedade e depressão em comparação com mães de crianças sem transtornos do desenvolvimento. O excesso de demandas e a falta de suporte adequado podem levar ao esgotamento físico e mental, conhecido como Síndrome de Burnout, afetando negativamente a qualidade de vida dessas mães.
Além disso, a culpa é uma presença constante. As mães atípicas frequentemente se questionam se estão fazendo o suficiente, se estão tomando as melhores decisões ou se poderiam ter feito algo diferente. O peso dessa cobrança interna pode ser sufocante, especialmente quando a sociedade reforça a ideia de que elas devem ser incansáveis e perfeitas. É fundamental reconhecer que errar faz parte da jornada e que buscar ajuda não é sinal de fraqueza, mas de coragem.
Cuidar de si mesma não deve ser um luxo ou ato de egoísmo, mas uma necessidade. Terapia , redes de apoio e momentos de descanso são fundamentais para que essas mães continuem sua caminhada com mais leveza e saúde. Afinal, para cuidar de alguém, é preciso estar bem também.
E como podemos contribuir para a saúde mental dessas mulheres? Pequenos gestos fazem a diferença: oferecer uma palavra de conforto, validar seus sentimentos sem julgamentos, escutar com empatia e reconhecer sua dedicação. Muitas vezes, essas mães não precisam de soluções prontas, mas sim de alguém que as veja e as compreenda. Mostrar que elas não estão sozinhas e que sua luta é reconhecida já pode trazer um grande alívio. Acolher a dor do outro é um ato de amor que pode transformar vidas.
Maria Cristina Franco Garcia, psicóloga (CRP 06/38311) e membro da Comissão Maio Furta-cor Salto/Itu